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Cuidadora interna: quanto custa, como se contrata e que alternativas há

Atualizado a 30 de outubro de 2026

Em resumo

Uma cuidadora interna vive em casa da pessoa idosa e acompanha-a de dia e de noite, com folgas. Em 2026 o salário pedido anda entre 1.100 e 1.500 € líquidos por mês, com alojamento e alimentação, a que se somam as contribuições para a Segurança Social; o salário não tem IVA. É um contrato de trabalho doméstico, que se comunica à Segurança Social antes de começar. As alternativas são duas cuidadoras em turnos, uma empresa de cuidadores, o apoio domiciliário ou o centro de dia.

O que faz uma cuidadora interna

Uma cuidadora interna (ou cuidador) mora em casa da pessoa idosa. Ajuda a levantar, a lavar, a vestir e a comer, dá os medicamentos, prepara as refeições, trata da casa e da roupa, acompanha a consultas, faz companhia e está presente à noite. É a solução de muitas famílias quando a pessoa já não pode ficar só, recusa o lar, ou enquanto espera por vaga.

Não é enfermeira. Para pensos, injeções ou cuidados de saúde regulares, precisa de enfermagem ao domicílio à parte.

Quanto custa em 2026

O salário

Os valores pedidos no mercado, em 2026, andam entre 1.100 € e 1.500 € líquidos por mês, com quarto e alimentação incluídos. Pessoas acamadas, com demência ou que precisam de ser viradas de noite ficam acima disso. O salário é rendimento do trabalho e não tem IVA.

O mínimo legal é o salário mínimo nacional, 920 € brutos em 2026, pago 14 vezes por ano (com subsídio de férias e de Natal). A cuidadora tem direito a 22 dias úteis de férias, a um dia de descanso por semana e ao descanso diário. Uma pessoa só não cobre 24 horas por dia, sete dias por semana: tem de prever quem a substitui nas folgas, nas férias e nas baixas.

A Segurança Social

O empregador tem de comunicar o contrato à Segurança Social antes de a cuidadora começar e pagar as contribuições todos os meses. Há dois regimes:

  • Remuneração convencional: a contribuição é calculada sobre o indexante dos apoios sociais (537,13 € em 2026) e não sobre o salário real. A taxa total é de 28,3 % (18,9 % a cargo do empregador e 9,4 % descontados à trabalhadora): cerca de 152 € por mês no total.
  • Remuneração real: a contribuição é sobre o salário pago, com taxa total de 33,3 % (22,3 % empregador e 11 % trabalhadora). Para 1.300 €, cerca de 433 € por mês no total, dos quais 290 € a cargo do empregador. Dá à cuidadora uma proteção melhor na doença e na reforma.

No total, uma cuidadora interna custa à família, com salário e Segurança Social, entre cerca de 1.300 € e 1.900 € por mês, mais as substituições, a alimentação e o desgaste da casa.

Por uma empresa

As empresas de cuidadores tratam do recrutamento, das substituições e dos descontos, e faturam com IVA a 23 %. Um serviço interno 24 horas custa, em 2026, entre cerca de 2.200 € e 3.500 € por mês com IVA, conforme a dependência e a zona. Por hora, para apoio pontual, entre 12 € e 18 € com IVA. Peça sempre o preço final e o que acontece nas folgas da cuidadora.

Como se contrata

  1. Defina o que precisa: grau de dependência, noites, tarefas, folgas, se é preciso saber cozinhar ou conduzir.
  2. Procure por recomendação de quem já contratou, nas empresas de cuidadores, no centro de emprego ou nas paróquias e instituições do concelho. Peça referências e fale com elas.
  3. Faça um período de experiência de alguns dias, com a família presente.
  4. Faça o contrato de trabalho doméstico por escrito, mesmo que a lei não o exija: salário, horário, descanso diário e semanal, folgas, férias, alojamento e alimentação, tarefas. Um contrato de prestação de serviços (recibos verdes) não serve para quem trabalha em sua casa, com o seu horário e as suas ordens.
  5. Comunique o contrato à Segurança Social antes do primeiro dia, na Segurança Social Direta, e escolha o regime de contribuição.
  6. Faça um seguro de acidentes de trabalho, que é obrigatório, e combine por escrito o que acontece nas folgas e nas férias.

As alternativas

  • Apoio domiciliário: uma equipa vai a casa uma ou mais vezes por dia. Chega para quem ainda se desenrasca entre as visitas. Com acordo com a Segurança Social, paga-se uma percentagem do rendimento.
  • Centro de dia: a pessoa passa o dia acompanhada, com refeições e atividades, e dorme em casa. Combina com o apoio domiciliário de manhã e à noite.
  • Duas cuidadoras em turnos: mais caro, mas cobre as folgas e evita o esgotamento de uma pessoa só.
  • Lar: para grandes dependentes, a mensalidade de um lar com acordo é uma percentagem do rendimento da pessoa; um lar privado custa, em 2026, entre cerca de 1.300 € e 2.600 € por mês, conforme a dependência e a região, em valores finais. O nosso simulador faz a conta.
  • Um familiar como cuidador: com o estatuto do cuidador informal, quem deixa de trabalhar para cuidar pode receber um subsídio.

Perguntas frequentes

O salário da cuidadora deduz no IRS?

Não. A dedução das despesas com lares e apoio a idosos só aceita faturas de instituições e empresas registadas como lares ou apoio domiciliário. O salário de uma cuidadora contratada pela família não entra.

E se a cuidadora adoecer?

Fica de baixa pela Segurança Social, e a família tem de arranjar substituição. É por isso que convém ter um plano B: uma segunda pessoa de confiança, uma empresa, ou um lar que aceite estadias curtas.

Posso contratar alguém sem autorização de residência?

Não. Quem trabalha em Portugal precisa de estar em situação regular, com número de Segurança Social. O contrato de trabalho doméstico, comunicado à Segurança Social, é um dos documentos que ajudam a regularizar quem já está no país.

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